quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Relações e ralações das relações (post para me lembrar a sorte que tenho sempre que reclamo com o namorido)

Todos os dias, tanto em conversas com colegas de trabalho (mulheres), como com amigas, e até com clientes  também mulheres, vem à baila o assunto "os homens em casa não ajudam nada". Em todas as conversas há sempre aquelas mulheres que se queixam muito dos respectivos maridos/namorados ou o que seja. As queixas que mais ouço são:

- Ele não ajuda nada, não limpa, não cozinha, não trata das crianças, não acorda de noite porque os filhos estão doentes, não trata do gato, do cão, do periquito e etc.; 
- Está sempre a jogar playstation e só se levanta para comer e se tiver muita fome;
-Não reclama de nada mas também não ajuda.

...mas ultimamente há sempre alguém que tem outro tipo de queixas:

- Dar satisfações e justificações de tudo e mais alguma coisa, principalmente onde gastou x dinheiro. 
- Desconfianças da parte dele sempre que ela se atrasa 1 minuto;
- Desprezo pelo trabalho da mulher. Se limpou, arrumou, cozinhou, deu de comer às crianças, deu-lhes banho, deitou-as, tratou das coisas para o dia seguinte, deitou-se às quinhentas e levantou-se não sei quantas vezes porque o bebé chorou, e se às 6h da matina já está a pé outra vez porque é dia de trabalho e ainda à roupa para estender e outra para apanhar da corda antes de sair de casa, fez tudo porque é mulher e é sua obrigação. 

Ora, isto são idiotices para me deixar deveras abespinhada. Se há coisa que eu não suporto é machismo (nem feminismo, e todos os fundamentalismos sejam eles quais forem). Não suporto igualmente a ideia de o homem em casa ajuda. É pá, por favor! Se vivem na mesma casa, partilham uma vida então partilham tudo. Sejam tarefas domésticas, contas, gastos, compras, filhos. Partilham! não é obrigação de um ou de outro é dos dois. 
Depois há a confiança e, normalmente, aqui é que a porca torce o rabo. Não confiam onde se gastou o dinheiro, estão sempre a reparar se ela comprou uns sapatos, ou outra coisa qualquer, mesmo até para os filhos. Se os zeros na conta diminuem a culpa é delas. Este exemplo foi dos últimos que ouvi. Há também a confiança na fidelidade da companheira, e esta quando não existe pode transformar-se numa doença.

Agora, há o meu exemplo, sobre o qual eu já nem comento com ninguém pois parece que sou um ET ou então não acreditam. Sei que existem mais exemplos como o meu, porque os conheço, mas efectivamente são poucos quando comparados.
A pessoa com quem partilho a minha vida é o oposto de tudo o que acima relatei e, só para o caso de no meio de um dos nossos arrufos eu ferver em pouca água e ralhar com ele só porque não colocou a roupa suja no cesto e a deixou no bidé, vou nomear algumas das coisas que o namorido faz sem que seja preciso eu pedir (coisa que eu nunca faria, acho simplesmente inconcebível, mais depressa o mandaria dar uma valente volta):

- Faz o jantar todos os dias (chega mais cedo a casa que eu);
- Lava a loiça do jantar enquanto eu trato da roupa e preparo as coisas para o dia seguinte;
- De manhã prepara sempre o pequeno almoço para os dois enquanto eu tomo banho;
- Arruma a mesa do pequeno almoço e lava o que se sujar se ainda tiver tempo;
- Ao fim de semana limpezas. Ele começa numa ponta eu na outra. Devo referir que lava sempre a casa de banho que é só a coisa que eu mais detesto fazer;
- Acorda sempre bem disposto e respeita o meu mau humor matinal, não fala comigo e dá-me sempre um beijo quando o despertador toca;
- Não me troca por jogo nenhum de futebol, nem passa horas em frente à playstation enquanto eu trato de tarefas domésticas. Os jogos e tudo o resto é para as horas livres de tarefas, para quando não há nada para fazer, para relaxar porque também faz bem.
- Nunca me perguntou porque gastei x dinheiro nem onde. Se o fiz é porque precisava ou porque me apeteceu. Conhece-me e confia em mim o suficiente para saber que não iria gastar o que tanto me custa a ganhar mal gasto. O mesmo se passa comigo em relação a ele.
- Se há uma compra de valor maior seja para a casa ou para um fim pessoal falamos um com o outro sem dramas nenhuns e chegamos sempre a acordo se vale a pena ou não investimento;
- Nunca passa a roupa a ferro, odeia fazê-lo, mas também não liga se eu o faço ou não. Para ele "o calor do corpo passa", palavras dele.

Tudo o que fazemos é em família  Partilhamos a vida sem nos darmos conta. Para nós não faz sentido de outra forma, nem o conseguiríamos fazer de outra forma.
É verdade que não estamos sempre de acordo em tudo, também discutimos claro, mas resolvemos sempre. Confiamos e respeita-mo-nos muito. Quando isto deixar de acontecer cada um seguirá o seu caminho.

Para mim a base de uma relação está na confiança e no respeito mútuo, quando não existe há sempre alguém que se anula e vive infeliz. Há sempre alguém que "vai levando", como já ouvi. É infeliz e sofre.
É isto que eu não entendo. Como é que em pleno século XXI ainda há gente da minha geração que vive assim?  E até gerações mais novas. Não percebo.









terça-feira, 13 de novembro de 2012

A quem é que se faz queixa da DECO?

Tenho à 2 dias um "querido" que me liga da DECO a tentar convencer-me a ser sócia da Proteste e C.ª. Diz ele que durante não sei quantos meses tenho 50% de desconto na mensalidade, que tenho vantagens nisto e  naqueloutro.
Ora então o diálogo foi assim:

DECO: " se aderir já hoje tem 50% de desconto na mensalidade durante x meses (já não me lembro quanto meses eram), e descontos nos serviços x, y, z ( também não me lembro, mas eram muitos entre dentista e coisas mais), mais apoio jurídico gratuito, mais blá blá blá..."
EU: "Então o melhor será enviarem essa informação por e-mail e se depois eu quiser o serviço entro em contacto convosco"
DECO: " pois mas não pode ser. Tem de fazer a requisição por telefone para poder beneficiar dos 50% de desconto e" blá, blá, blá....
EU: " Como? 
DECO: "Sim, para beneficiar de todas as vantagens tem de ser por telefone agora."
EU: "mas estão malucos ou quê? mas quem raio ainda aceita comprar serviços por telefone? isto é legal?" 
DECO: - "até agora temos tido excelente aceitação por parte das pessoas e toda a informação está disponível no nosso site que pode ler", e blá, blá, blá...
EU: "mas não deveriam ser vocês a alertarem as pessoas para não aceitarem nada sem ler muito bem lido e sem ter reflectido sobre o assunto, não deviam? Mas raio se passa para até aqueles que nos deveriam defender estarem a tentar impingir-nos tretas? Vocês são uma grande aldrabice, isso sim. 
DECO: "pois então se a senhora não está interessada, resta-me desejar-lhe um resto de uma boa tarde e se tiver alguma dúvida pode sempre consultar o nosso site."
EU: " Boa tarde."

E agora a quem é que eu me queixo da DECO?
Mas que grande aldrabice. Estou muito desiludida. Anda meio mundo a enganar outro meio.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Se és uma pelintra, porquê casar? E ainda por cima com um pelintra como tu?


Perguntaram-me porque raio me vou casar se estamos os dois numa situação precária e difícil no emprego.   Se já vivemos juntos então é deixar estar que estamos bem e não gastamos dinheiro. Exactamente assim neste modos. Fiquei boquiaberta com o comentário. Respondi que é uma decisão nossa e que não temos de explicar. A pessoa ainda ficou ofendida, enfim. 

Sou católica, fui catequista durante 10 anos e pretendo voltar a ser. Para mim, para nós, é muito importante casar pela Igreja e esta não precisa que eu seja rica para casar. Neste momento faz todo o sentido, aliás já o fazia à algum tempo mas por uma série de outras coisas que agora não interessam nada ainda não tinha acontecido. Neste momento queremos estar mais perto de Deus, queremos ser uma família cristã, e é isso que nos move. Não precisamos de dinheiro para isto.

NOTA: Podemos ser pelintras mas não devemos nada a ninguém e não falta tecto e comida na mesa. Aprendemos a viver com o que temos, assim jeito da Isabel Jonet.

A dois tudo é mais fácil

Estou a contar os dias para o desemprego, e a lutar todos os dias por um novo. Não desisto, eu vou conseguir. Estou doente e a trabalhar (para a mesma empresa que no fim do mês me vai atirar para a pior estatística deste país). O namorido também está numa situação difícil no emprego (Eng. Cívil pelas ruas da amargura...). Vamos casar dentro de 7 meses. Temos pouco dinheiro e não temos nada pensado nem ideia como vai ser. Não idealizei vestido nem festa. Será um casamento barato, simples e com poucas pessoas, bem ao meu/nosso jeito. 
As coisas não estão fáceis, mas vão melhorar, nós vamos conseguir. 
A dois tudo é mais fácil, tudo é melhor. 


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Estudante Amarelo, que te aconteceu?

Sou só eu que não consigo aceder ao blog da Estudante? 

A mensagem que aparece é esta:

O blogue foi removido

Lamentamos, mas o blogue em estudanteamarelo.blogspot.com foi removido. Este endereço não é válido para blogues novos.
Estava à espera de ver o seu blogue aqui? Consulte: 'Não consigo encontrar o meu blogue na Web. Onde é que ele está?'

Estudante estás aí? Alô? 


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Jumper ou Sweater como se chamava no meu tempo

Então agora vestem as ditas camisolas com mini-saias todas pipis e saltos altos?! Ai é? Pois olhem não combina. E não há bimba fashion nenhuma que consiga provar o contrário. 
Hoje entrou-me uma miúda assim vestida aqui no escritório e a reacção de toda a gente foi " ela veio para a entrevista ou vai correr ali para o Parque da Cidade?" 

Meninas todas fashions, à coisas que não ficam bem a ninguém, nem à Olivia Palermo, e olhem que a miúda é gira que farta.  

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O melhor estava guardado para o fim

Depois de mais 1 dia mau, cheguei a casa e tinha preparado em cima da mesa umas torradas maravilhosas acompanhadas de chá. Entro na casa de banho e tinha uma banheira de espuma cheirosa e gostosa à minha espera, velas cheirosas, um ambiente perfeito. Terminado o banho do qual saí já a dormir, chego à sala deparo-me com um jantar quentinho acabado de fazer e que estava uma maravilha, como sempre. Segui-se o sofá e um filme que não vi porque adormeci passados 5 minutos. A massagem que estava planeada também não aconteceu. Acordei hoje às 7h50m. 
Tudo foi preparado pelo namorido. É a minha pessoa. 


"Polar Post Crossing 2012 is coming to town!"



Vou participar pela primeira vez. A ideia é muito gira e eu preciso de me animar. 
Agora é esperar para ver quem me calha. Adoro enviar postais de Natal :).

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Balde de água fria

Ontem foi a constatação do que eu temia já há algum tempo.
A maternidade, a nossa família, terá de ser adiada por provavelmente mais uns anos.
Por muito que se lute e se teime às vezes o coração desaba e nem sempre aguenta.

Galochas do Jumbo


Ontem fui ao Jumbo e trouxe umas iguais às da foto para casa. Hoje já vieram comigo para o trabalho e tenho a dizer o seguinte:
1. São confortáveis. Não são duras e ficam muito bonitas nos pés (isto para galochas claro)
2. Cheiram mal que tresandam, e não é chulé. É mesmo a borracha. O namorido diz que é de serem novas e  que com a chuva que hão-de apanhar o cheiro desaparece. Eu espero bem que sim, porque se hoje não tivesse trazido comigo umas botinhas normais no carro, não sei como ia aguentar todo o dia o cheiro a borracha.

O ano passado estive para comprar estas e só não o fiz porque achei muito dinheiro para botas de borracha. Agora que analiso se calhar não tinha sido dinheiro dado por mal empregue, visto que pelo que diziam não cheiravam a borracha. 


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Palavras que podiam ser minhas


Da filha da putice



"Filha da putice é eu viver num país em que os corruptos passam entre as gotas da chuva. Filha da putice é um país em que Presidente da República e Deputados da Assembleia dizem que um ordenado de cinco mil euros não dá para pagar as contas. Filha da putice é ver os meus pais quase com sessenta anos a ver o seu nível de vida baixar sucessivamente de há anos a esta parte, por causa de sucessivos cortes que nunca pediram por despesas que nunca fizeram. Filha da putice é ver um líder de bancada da oposição dizer que para a sua posição é vergonhoso andar com um renault clio.Filha da putice é os patrões aproveitarem a leva da crise e despedirem quem merece e quem não merece para, assim, encherem mais os bolsos. Filha da putice é ver quem tem que ir trabalhar não o poder fazer porque meia dúzia de privilegiados passam a vida a fazer greve nos transportes. Filha da putice é ver que quem trabalha doze horas por dia ganhar muito menos do que quem passa o dia a olhar para ontem, em cafés e esplanadas porque 'ser cigano é ser ostracizado'. Filha da putice é eu pagar para que haja desocupados que vivem de um RMI maior que o meu ordenado. Filha da putice é alguém se levantar de manhã e pensar que porreiro, porreiro era penalizar quem já está a braços com uma situação de desemprego e colocar a fasquia um bom pedaço abaixo dos quatrocentos euros por mês. Filha da putice é Salgueiro Maia ter morrido na merda, maculado pela ingratidão alheia, e não poder voltar a mostrar ao povo que com pouco se faz muito, basta que todos queiram o mesmo."



quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Coisas que me aquecem o coração

Todos os dias ligo aos meus pais ou eles a mim. Todos os dias nos falamos, é impressionante como temos sempre assunto. Todos os meses os visito como maior ou menor frequência mas não estou mais de 1 mês sem ir a casa, à casa que será para sempre a minha casa. Às vezes discutimos, ralhamos entre nós e chateamo-nos, mas nunca dura mais de uns minutos. E até para isto é bom falar com eles todos os dias. É sinal que não deixamos de nos conhecer, que mantemos os laços estreitos, que há Amor, que há carinho e que não estamos sós. Rimos, damos gargalhadas até doer a barriga e também choramos. Para o bem e para o mal estamos ali, uns para os outros. 
Um dia quando tiver filhos, e independentemente do que a vida me reserve não há-de passar um dia sem que fale com eles. 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A BABÁ

Está cada vez mais vulgar. Será que sou só eu que acho a apresentação da senhora decadente?

 (imagens "sorripiadas ao google, o nosso grande amigo)

Ela tem um corpaço, é verdade, e pode vestir coisas que eu nunca me atreveria porque me faltam certos atributos que a senhora tem e bem no sítio, mas caramba aquelas combinações de indumentária só ficam bem se quiser ir trabalhar ali para a zona da Av. da Boavista ou numa daquelas pensões do Padrão. Já para não falar que não consigo ouvi-la falar. Parece que estupidificou a coitada. Até a ler o tele-ponto fica esquisita, também não sei quem raio escreve para ela, mas não deve muito à inteligência ou então não lhe pagam para mais. Aquilo é com cada saída.
Ainda no outro dia, estava a fazer zaping pelos canais quando me deparo com uma coisa absolutamente surreal.  Então não é que a Babá estava a dançar para o Paulo Futre (até este parece ter mais tino que ela) que estava sentado numa cadeira no meio da pista! Ó senhores aquilo fica mesmo feio, é de uma falta de tudo caramba. Só lá faltava um varão. 
(imagens "sorripiadas ao google, o nosso grande amigo)
Será que ela depois de tantos anos nisto se sujeita a estas coisas por dinheiro, ou será ficou passada da marmita com a idade? Sim porque a senhora já não vai para nova, mas é jeitosa e pelos vistos é o que interessa.



segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Pequena informação para os dirigentes Sportinguistas,

O Dr. Jorge Nuno Pinto da Costa tem por hábito ir à missa às 12h15 e não às 11h. 
O Sr./Dr(?) Luís Duque até se sentou junto dos bancos que habitualmente o Dr. Pinto da Costa e sua jovem esposa escolhem, só não acertou foi nas horas. :)

Será que o próximo treinador dos verdes também tem sangue azul? Há que dar continuidade à linhagem Sá Pintesca. Ahahah.
Os jornais desportivos aguardam cenas dos próximos capítulos ;)





sábado, 20 de outubro de 2012

O "Norte" de Miguel Esteves Cardoso

O Norte é mais Português que Portugal. As minhotas são as raparigas mais bonitas do País. O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela. As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram.

Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca. Verde-rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas.

Mais verdades.
No Norte a comida é melhor.
O vinho é melhor.
O serviço é melhor.
Os preços são mais baixos.
Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia
Estas são as verdades do Norte de Portugal

Mas há uma verdade maior.
É que só o Norte existe. O Sul não existe.
As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et cetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta.

Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte.
No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista?
No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro.
Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país

Não haja enganos.
Não falam do Norte para separá-lo de Portugal.
Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal.

Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal.
Mas o Norte é onde Portugal começa.
Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo.

Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte.

Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa.
Mais ou menos peninsular, ou insular.

É esta a verdade.

Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte. Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.

No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa.

O Norte cheira a dinheiro e a alecrim.

O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho. Tem esse defeito e essa verdade.

Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas.

O Norte é feminino.

O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.

As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos.
Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas.

São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem. As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente.

Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial.

Só descomposturas, e mimos, e carinhos.

O Norte é a nossa verdade.

Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.
Depois percebi.

Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o "O Norte".

Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo. Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente.

No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima. Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita.
O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os- Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar.

O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm e dizer "Portugal" e "Portugueses". No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como "Norte". Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos?

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Do meu estado de espírito

Ando angustiada  com o coração pequenino e apertadinho. Apetece-me chorar a toda a hora, não tenho paciência para nada e tudo me parece o fim do mundo. 
Quero mudar de emprego, ambiciono mais, quero realização profissional e pessoal, quero ser remunerada pelo meu trabalho. Quero chegar ao dia 8 com as contas pagas, e não a olhar para a conta bancária e constatar que o salário ainda não está lá e que as contas não esperam.
Quero uma família, queremos uma família. Queremos ter filhos e ser felizes. 
Queremos, mas estes filhos da puta não nos deixam. 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

"Gaspar desafia deputados a proporem cortes na despesa do Estado"

Acabo de ler esta notícia no Jornal Público e pergunto-me: MAS NÃO DEVERIA SER POR AQUI QUE DEVIAM TER COMEÇADO? 

Não Coquinhas Maria, claro que não. Cortar na despesa do estado, que raio de ideia. Então e depois os senhores deputados e mais a corja toda com cargos pomposos como é que iam sobreviver? 
Uma coisa é certa, ao Passos punham-no logo a andar, que eles não andam a apoiar tipos que lhes cortam nas regalias, era o que faltava. E no final não se cortava na despesa do estado, caia o governo e vinha outro aldrabão mandar nisto. Esse outro aldrabão chega ao poleiro e passado 1 min já está a subir impostos e o diabo a quatro porque é claro nunca imaginou que as contas estivessem tão más, vai daí carrega no Zé Povinho. 
Os políticos que nos governam não passam de valente bosta, porra!

(Coquinhas, nas próximas eleições lembra-te deste post.)